Avisos:

A Banda de Amarante vai apresentar-se em Peroselo, Penafiel, para a festa em honra da Nª Srª da Visitação, no próximo dia 7 -- VI Estágio de Verão e Curso de Aperfeiçoamento de Sopros e Percussão (este ano com o maestro José Rafael Pascual Vilaplana) de 19 a 23 de Agosto -- Banda Musical de Amarante - Vencedora do 1º Prémio/III Escalão do IV Concurso Internacional Ateneu Artístico Vilafranquense e Prémio Tauromaquia

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Os harmoniosos homens das neves

Estava "um frio de rachar" no passado fim-de-semana em Amarante. Imaginem só, há décadas que não sucedia, mas naquela data nevou em Amarante. Não falo de neve nas montanhas nas redondezas. Refiro-me a neve no vale, na cidade - algo que, de resto, aconteceu no resto do norte português. Tudo isto transformou a cidade num autêntico congelador natural. Já para não falar nos acessos, cuja grande parte se encontrava impossibilitada. Um simples nevão, até nem muito pesado, congelou de todas as maneiras o norte do país. Mas isso é outra história. Pelo menos a imagem que os olhos captavam não enganava. Simplesmente magnífico o aspecto. Se à noite os montes reflectiam uma luz azul, de dia o tapete branco harmonizava o aspecto da cidade. É, sem dúvida, um fim-de-semana que não se esquecerá tão cedo, por tudo isto.

Ora, nesse mesmo fim-de-semana, comemorava-se o 750º aniversário da morte de S. Gonçalo, o padroeiro da cidade de Amarante. Há já alguns anos que a Banda de Amarante não se mostrava nesta festividade, por motivos de ordem maior. Mas, nesta ocasião em que a data era mais redonda, fizemo-nos à rua, ignorando a neve ou o frio, cumprindo o nosso dever..
A manhã foi dedicada a ensaiar. O concerto a dar durante a tarde foi visto e revisto, sob a orientação dos maestros, de modo a ultimar e a afinar o nosso desempenho nesse dia. A parte da manhã, consistindo somente nesse ensaio e, posteriormente, num arruado pela cidade, só contou com os músicos ditos da terra (salvo raras excepções). Estava muito difícil juntar executantes que se encontravam nas mais diversas zonas do norte, com objectivo de chegar a Amarante. Mas, contra todos os impedimentos, as suas respectivas deslocações foram efectuadas e a Banda pode contar com o seu corpo na máxima força.

Assim, por volta das onze horas desse domingo dia 11, a Banda iniciou o arruado, desde sta. Luzia até ao largo de S. Gonçalo, ao som das marchas "Homenagem ao Dr. Manuel Vaz" e "Manuel Joaquim de Almeida". À chegada ao destino, silêncio pois decorria a celebração da missa, naquele dia em honra do santo padroeiro. Assim que solicitada, a Banda entrou na capela do mosteiro, interpretando o "Hino a S. Gonçalo" na recta final da eucaristia dominical presidida pelo bispo D. Manuel Clemente, que neste fim-de-semana em especial visitava a paróquia de S. Gonçalo. Findava assim a primeira parte deste serviço.

De tarde, o marasmo derreteu muito da paciência de todos envolvidos. A "corrida à neve" envolveu a cidade em trânsito denso de veículos automóveis. Se o frio já dificultava as operações, não foi este pormenor que veio ajudar mais. Nem sequer um inocente erro de logística que deformou a configuração do palco para o concerto. Nada condenável, tendo sido feito, como se diz em bom amarantino, "na boa fé". Mas, diga-se desde já, que não foi esta conjugação de obstáculos que impediu o bom sucesso da festa. Consta que, apesar de um atraso já gordinho e do terrível frio, o largo de S. Gonçalo encheu-se de gente para assistir ao concerto. A mancha humana era quase comparável às das festas de Verão no largo. Tudo pronto para assistir. Nós prontos para começar. Afinou-se... E começou o concerto.
Abriu-se com o "Hino a S. Gonçalo", que foi executado de pé, seguido do pasodoble "Consuelo Císcar" de Ferrer Ferran, ambas as peças dirigidas pelo maestro Armando Teixeira. Entrou em cena o maestro Manuel Fernando Marinho para dirigir a abertura para banda "Ross Roy" de Jacob de Haan. A peça a solo "Le Merle Blanc" de Eugene Damaré pôs em pé o solista em flautim Fábio Pinto da Costa. Voltou o maestro Armando Teixeira para concluir com "Xutos Medley" de Luís Cardoso, a rapsódia "Poetuguês Suave" de Carlos Marques e, ainda, o pequenino número "Martiñika" de J.F. Groba. Concluiu-se novamente com o hino interpretado no início, dando por findada a nossa participação nas festividades. No final, o grupo de Bombos de Jazente veio ainda saudar a Banda. O público correspondeu ao esforço da Banda, crescendo aplausos peça após peça, o que comprova o sucesso do concerto. A Banda superou um difícil obstáculo de temperatura. Para quem não imagina, esta festa foi a mais difícil, tanto a nível de condições para executar como para a organização.

É possível ver as fotos deste concerto na galeria de fotos do site da Banda ou ainda no perfil de hi5 da mesma. É ainda possível fazer o download de três das peças executadas na galeria de mp3 do site. O concerto encontra-se na íntegra no site do Amarante TV.

Foi assim a entrada da Banda neste novo ano. Prestou-se a devida homenagem a S. Gonçalo de Amarante, nosso padroeiro. Agora começa o que, para quem assiste é um hiato, mas para quem trabalha é a parte mais importante. Vão-se ensaiar novas peças para o repertório. Será preciso muito trabalho e aplicação de todos os músicos. Quanto a músicos, os parabéns a todos pela prestação. Um agradecimento aos que vieram colaborar. Não têm contrato com a nossa Banda, é certo. Mas a sua presença já habitual e a sua disposição sempre colaborativa para ajudar torna-os mesmo músicos desta Banda, com todo o entrosamento sempre melhor e com o calor hospitaleiro que lhes tentamos sempre transmitir. Obrigado por toda a ajuda. Bom ano.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Géneros Musicais

Bonito. A Banda já deu a entrada. Vamos agora para o coreto de modo a executarmos o nosso concerto. Sabem que tipos de música são interpretados num concerto de Banda Filarmónica? Se não sabem, leiam aqui. Nós só não temos solução para a morte. De resto arranjamos explicação para tudo. Ora vá.

Ao contrário das Orquestras, que se fixam unicamente na música erudita, as Bandas Filarmónicas estendem a sua interpretação por vários géneros musicais, desde os mais clássicos até aos mais ligeiros e populares. Assim sendo, podendo executar o que uma orquestra executa (com a devida transcrição), uma banda também executa obras de tamanho aceitável, reunindo vários temas. Passemos então ao concerto.

Genericamente, um concerto de uma Filarmónica começa no geral com um Pasodoble. E o que é isto? Ora, o Pasodoble é um estilo musical e de dança de origem espanhola, surgido no século XVI. Caracteriza-se por ser uma marcha de compasso binário (2/4 ou 6/8) e tempo allegro moderato. Tem uso nas touradas e desfiles militares. Tem muito recurso ao trompete, instrumento que surge várias vezes como solista em obras deste género.
A seguir ao Passodoble, é normal que se interprete uma obra de carácter mais erudito. Dentro disto, é muitas vezes interpretado um destes dois géneros: a suite e a abertura.
A suite é um conjunto de movimentos musicais dispostos com algume elemento de unidade, de modo a serem tocados sem interrupções. Na Alemanha a suite compreendia um conjunto de danças, enquanto que em França é tida como uma abertura. Com o passar dos séculos, passou a designar uma selecção de temas de uma obra orquestral, pelo que a música é rica em suites, por exemplo, dos bailados de Tchaikovsky, da obra Peer Gynt de Edvard Grieg...
Já a abertura é o termo que denomina uma peça musical unicamente instrumental que, tal como indica o próprio nome, serve de abertura a óperas bailados, sinfonias ou suites. No século XIX acaba por ser independente, representando assim uma peça orquestral, de carácter evocativo.
Findada a parte mais erudita do concerto, chega-se a uma parte mais ligeira. Aqui a "côr" muda completamente e a música passa a ser, em geral, mais leve. É executada uma abertura para banda, que segue o conceito da abertura orquestral, mas sendo caracterizada por ritmos ligeiros e modernos. Costuma sintetizar-se por uma entrada majestosa, desenvolvendo-se um tema, segunido-se uma parte mais melancólica, geralmente com uma intervenção a solo, acabando com um finale festivo. Dos exemplos mais célebres no ambiente filarmónico destacamos "Oregon" ou "Ross Roy" do compositor holandês Jacob de Haan; ou "Cassiopeia" de Carlos Marques e "Ciclos e Mitos" de Nuno Osório, dois exemplos da produção deste estilo no nosso país.
Um outro estilo ligeiro muito interpretado é o medley ou selecção. Nes estilo, são simplesmente seleccionadas e misturadas melodias, temas e canções de acordo com o tema ou artista a tratar. No nosso universo filarmónico, temos exemplos célebres tais como "Xutos Medley", "Selecção Q.B." (medleys da autoria de Luís Cardoso com temas de Xutos e Pontapés e Quinta do Bill, respectivamente), "God Save the Queen" (da autoria de Carlos Marques; temas dos britânicos Queen) ou "Bands Around the World" (por Paul Yoder e Harold Walter com temas característicos de vários países).
Filarmónica não é Filarmónica sem tocar uma ou duas rapsódias, obviamente. A rapsódia é uma justaposição, de escassa unidade formal, de temas e melodias populares e conhecidas. Podem ter vários movimentos e mudanças de tonalidade. Na música erudita, vários compositores elaboravam rapsódias de temas seus ou de outros, havendo até variações que são entendidas como rapsódias, devido ao seu estilo livre. No panorama filarmónico, as rapsódias são geralmente medleys de música popular portuguesa.
A banda filarmónica também tem que ter um repertório rico em marchas. A marcha é uma peça escrita originalmente (e tal como nos indica) para marchar. Era intencionada para bandas militares e para os seus desfiles. O estilo da marcha compreende desde marchas fúnebres, solenes, de desfile, militares e hinos. São escritas geralmente em compassos binários, tal como o Pasodoble de 4/4,2/4, 2/2 ou 6/8.

Fica então aqui este compêndio. Os textos com estas e outras explicações mais detalhadas encontram-se na wikipedia. Falta-nos falar sobre a Fantasía. Fica para uma próxima. Para assistirem a exemplos destes estilos aqui tratados, não deixem de assistir ao concerto pela Banda Musical de Amarante no próximo domingo dia 11, na festa em honra de S. Gonçalo de Amarante.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Boas Festas 2008/09

Em mais uma quadra natalícia, a Banda Musical de Amarante volta à rua para saudar os hospitaleiros conterrâneos. Com uma força que nem este frio abala, vimos trazer a boa-nova por meio daquilo que conta todas as histórias – a Música.
A si, que nos recebe nestas noites de cantares de reis (ou janeiras, se assim preferir), desejamos este ano que tenha um Natal em toda a sua plenitude de união familiar, culminando num novo ano em que essa união se venha a reforçar ainda mais, pois uma família unida enfrentará melhor todas as crises e malapatas sociais que possam haver, tornando a realidade e a actualidade lugares mais apetecíveis.
Assim sendo, fica o nosso desejo de um Natal cheio de harmonia e um novo ano primoroso na afinação.

- Cantares dos reis:

Venha ao berço de Menino,
Ilusão cheia de paz:
Tudo isso aqui lhe traz
Nosso canto cristalino

Regresso ao Reino vivido
É milagre do Natal,
É a família total
Ou o amor nunca perdido.

(coro)
Na noite da nossa Vida,
Tão querida e tão sofrida,
Há uma estrela brilhante
É o rio e as florestas
E as festas, boas festas,
Do Natal de Amarante

Momentos de encantamento
Lhe tragam um ano novo
Com os seus ou com o povo
Ou a sós, em pensamento.

Sinta a vida menos dura,
E, para que seja assim,
Viva o ano até ao fim
Em demanda da ventura.

(coro)

domingo, 7 de dezembro de 2008

Novo fotolog

A Banda Musical de Amarante tenta sempre expandir-se pelas comunidades mais populares do world wide web. Assim sendo, uma das primeiras a que aderimos outrora, foi a comunidade fotolog, na qual nos possibilitam expor uma foto por dia, ficando essa foto como elemento principal da homepage.
Na altura o espaço dava pelo link de http://www.fotolog.com/herminio_azevedo, como forma de homenagem ao maestro de então. No entanto, e por uma questão de respeito, mudámos o link para http://www.fotolog.com/banda_amarante (já agora, clique aqui). Assim, o espaço fica mais personalizado de acordo com as nossas preferências e não se corre o risco de desrespeitar todos aqueles que fazem hoje parte do nosso passado.
Tal operação requeriu a eliminação do anterior espaço e criação de um novo, tentando manter as preferências do anterior. Assim sendo, ainda dispõe de poucas fotos, pelo que se tentará adicionar material novo todos os dias.
Não deixem de visitar.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Vivos

Suponhamos que talvez haja vida na terra com o intuito de atingir marcas. Marcas pessoais, de realização de objectivos. Marcas temporais.

Ontem a Banda Musical de Amarante chegou à simpática marca de 154 anos de vida. Uma longevidade cheia de memórias, mística, histórias e trabalho, apenas interrompida por um curto hiato, que só prenunciou uma época completamente nova e mais motivante. Mas pausar não significa parar, e eis-nos de volta, com vontade sempre de dar “o melhor e mais um pouco” de cada um de nós e deste todo que é a Banda.

Tal como em 1854, mas não tão cedo, os executantes concentraram-se na sede da Banda a horas madrugadoras. Sete e meia e já lá estavam túnicas azuis, preparados para tomarem parte mais um ano na história e tradição desta instituição. Água ardente e vinho do Porto, figos secos e pão-de-ló. Rever um pouco a “matéria” e saltar para o autêntico frigorífico exterior que era o ambiente amarantino. A neve na serrania em redor deixava o ar frio, gélido mesmo. Mas não era nada que o músico não estivesse habituado. Interpretou-se o Hino da Restauração à porta da nossa casa, onde ensaiamos e delineamos todas as tácticas para os serviços. Seguiu-se para a nossa antiga casa, os Bombeiros Voluntários de Amarante, onde nos ofereceram um pequeno “mata-bicho” que soube pelo calor hospitaleiro. Rumou-se pela cidade abaixo, acenando à nossa terra-mãe e ao nosso lindíssimo mosteiro, dando também o devido relevo a uma das mais antigas instituições de imprensa de Portugal, “A Flor do Tâmega”. Seguiu-se a romagem ao cemitério, onde a “Alma Máter” pautou a nossa sentida homenagem aos amigos já idos. Lembremo-nos sempre desta marcha fúnebre. Apesar de ser um hino de despedida, foi a toada que nos saudou de volta quando nos reformulamos na já ida Sexta-Feira Santa. A manhã acabou com a cerimónia religiosa. Os entes sagrados, figurados no novo Pe. José Miranda, concederam-nos a sua bênção e desejo de continuidade, por toda a nossa importância como difusores da música – talvez uma linguagem de Deus, não querendo ser herege. Aproximando a Banda da paróquia, deram som à cerimónia um coro dirigido pela executante Beatriz Monteiro e seu organista e o executante Fábio Pinto da Costa na flauta Transversal. Finalmente, 13 horas, tempo para almoçar.

Salto no tempo, 14h15, já estavam de volta os músicos à sede. Hora de ensaiar uma última vez antes do concerto, a cereja em cima do bolo. Mais músicos vieram ajudar à festa, completando a formação, enriquecendo timbricamente o grupo. Chegada a hora, abrir-se-iam as cortinas ao público e dar-se-ia início ao concerto. Abriu-se com Consuelo Císcar, um passodoble castelhano cheio de delicadeza e cor. Seguiu-se com o Concertino de Weber para clarinete, abrilhantado pelo primeiro clarinete Carlos André. Ross Roy deu início à toada ligeira da tarde. A pequena e simpática Typewriter cativou claramente o público com uma coreografia cómica e viva. O medley de Carlos Santana prosseguiu após discurso do nosso presidente, Dr. Dinis de Mesquita e, porque estamos em Portugal, houve direito a uma rapsódia. Ao iniciar e finalizar o espectáculo, interpretou-se o “nosso” Hino da Restauração, como símbolo solene do nosso aniversário. Os maestros Manuel Fernando Marinho e Armando Teixeira dirigiram a Banda durante o evento. E como este dia é símbolo das ditas marcas, que falei acima, o discurso do nosso presidente contemplou precisamente este tema. Tivemos direito a despedir-nos de um executante que, por motivos de ordem maior, teve que se apartar da Banda, deixando-nos com pesar mas com bons momentos para recordar – o sr. Joaquim Borges em saxofone alto. Saudamos o mais novo executante, Delfim Carvalho em oboé. Congratulámos um dos nossos símbolos do grupo: Alberto Flores. O nosso eterno pratilheiro chegou à marca dos 50 anos de vida filarmónica. Teve direito à homenagem e a um sentido brinde da direcção.

Foi assim que passou a tarde. Veio a noite para deleitarmos o nosso paladar. O restaurante “A Grelha”, sempre fiel ao bom gosto gastronómico, providenciou um bom banquete, onde se juntaram músicos, amigos, directores e família. Houve tempo para discursos, onde o nosso presidente destacou a selectividade nos objectivos e serviços e a capacidade para lidar com homens, tentando primar pela diferença, assim como o agradecimento à Câmara Municipal por todo o apoio. A isto, o Dr. Armindo Abreu, autarca da cidade, respondeu destacando a importância da nossa colectividade na cultura e futuro do nosso concelho.

Termina assim o dia. Levamos todos para casa um sorriso pela vida que a Banda tem hoje. Vida nova. Ficam os agradecimentos aos músicos convidados, que vieram ajudar e abrilhantar o dia, com uma classe sem dúvida excelente; a dois maestros que fazem das tripas coração por esta Banda e que provam que são brilhantes e cada vez melhores; a todos os que trabalharam e mostraram o resultado, chegando a esta marca que nunca pode ser esquecida. Valeu a pena.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Recta final... do princípio

Pois bem. Eis que vai faltando pouco para acabar o ano. Sim, ainda é Outubro. Mas já são vinte e tais. Daqui a nada é Novembro e, pelas nossas simples contas, ficará a faltar um mês para algo importante. Pois, porque devemos ainda uma festa que no ano passado foi em silêncio. Ficámos calados e esquecidos, numa manhã de feriado da Restauração que, em Amarante, pareceu um dia banal. Mas olhai-nos agora, regressados, a completar um ciclo marcado por uma literal "translacção de 180º". Sim, porque hoje somos na mesma a Banda Musical de Amarante, mas somos algo diferente. Subimos do filarmónico de romaria banal para uma Banda enérgica e dinâmica, com mais profissionalismo e, ainda assim, amadorismo com amor, passo a redundância.

Entramos assim numa rota final daquilo que, ainda assim, é só o início do nosso caminho. Viemos e mostramos à nossa cidade que não estávamos mortos. E, para quem ainda duvidasse, ela acolheu-nos e abraçou-nos de forma emocionada, como uma mãe que se alegra de reencontrar a sua filha. E pisámos pegadas históricas dos antepassados da Filarmónica Amarantina, ou Banda dos B.V.A. ou Banda Musical de Amarante. Preparamo-nos agora para a mais histórica delas. É o nosso aniversário que se avizinha. Diz, certamente, muito a nós todos. Alguns até terão sido lançados numa festa a meio da época, mas o anúncio dos lançamentos de novos músicos eram sempre nesta data que vamos reavivar, depois da ausência do último ano.

É esta a nossa realidade. Estamos vivos. E é preciso fazer valer esta luta que foi. Desde quem fundou, a quem tocou por puro amor, até quem deu e dá o litro para sermos melhores devemos lembrar-nos de isso tudo e não deixar caír em vão. Trocou-se de direcção e de maestro. As mudanças são mais que evidentes. Coesão musical mais harmoniosa e expressiva, repertório mais apurado e bem desenhado, trabalho mais específico, dinamismo inovador. Mas a principal mudança que se deve operar vem de dentro de nós próprios. Sabermos a exigência da camisa que vestimos. Sentirmos o seu peso. E trabalhar. Talvez seja altura de olharmos para a caixa do instrumento em nossas casas e lembrar-nos da nossa Banda, que nos espera aos sábados de tarde, um pouco mais evoluídos que no anterior, e tocarmos, procurarmos que saia tudo bem tocado, que sejamos melhores. Não temos que dar provas a ninguém. Apenas a nós próprios. Dar a nós mesmos a prova que temos amor a esta instituição e à filarmonia, que tudo valeu a pena. Mostrarmos aos maestros que estamos aqui para andar ao melhor ritmo possível e que podem contar connosco para qualquer desafio. Todos temos apertos de tempo. Não é só um ou dois, somos mesmo todos. Mas há sempre espaço para a paixão, para a música, porque não há vida sem música.

É só este esforço final que temos que ter e manter para que provemos a nós próprios que vale a pena cá andar.

domingo, 14 de setembro de 2008

Despedida

Hoje, domingo, o Pe Amaro Gonçalo celebrou a sua última eucaristia dominical na igreja de S. Gonçalo. Pois sim. O nosso pároco, já muito afecto, despede-se no próximo sábado das paróquias de S. Gonçalo e S. Veríssimo - em suma, de Amarante. Será transferido pela diocese para o lugar de Secretário Diocesano para o Ano Paulino, ficando entregue à paróquia da sra. da Hora em Matosinhos, dando lugar ao Pe. José Manuel Miranda, que assumirá a orientação da paróquia de S. Gonçalo de Amarante e, obviamente, S. Veríssimo.

Assim sendo, quase 16 anos depois, uma das figuras mais carismáticas da nossa cidade deixa-nos, segundo o próprio e muitos mais, de missão cumprida. Numa posição difícil de aguentar, como é a de um padre, as opiniões sempre foram diversas sobre o Pe Amaro Gonçalo, mas sempre algo que lhe passou ao lado. Para este homem, o importante era trabalhar, dinamizando o máximo possível a paróquia, trabalhando por espalhar a fé e chamar mais cristãos à casa de Deus. E ele conseguiu. As suas homilias publicadas na Internet chegam a ser utilizadas por outros padres. Gentes de longe vêm para as suas missas. Como pessoa ganhou muitos amigos, deixando o hábito de monge na igrejae mostrando-se uma pessoa normal como todos nós. Não adepto da "beatice", é idolatrado por muitos e difamado por alguns que, coincidência ou não, simplesmente são os que dele discordam em ideias. Mas é, sem dúvida, uma mais-valia que a cidade vai perder. Para o provar, ficam as suas obras. Um excelente centro pastoral, uma vida paroquial muito bem dinamizada, modernizada e activa, uma conservação esforçada das muitas igrejas existentes na paróquia, entre outras. Mas, segundo o próprio, o Pe Amaro Gonçalo não leva com ele as obras, mas sim as pessoas que conheceu, batizou, casou e celebrou as mais variadas festas e missas, que o marcaram numa longa etapa em que ele chegou um jovem padre cheio de ideias, e sai, certamente, um padre respeitado e de enorme valor, não pela terra em que exerceu, mas pela sua enorme fé e busca de dar sempre o melhor à comunidade.

Foi sempre amigo das instituições de Amarante, particularmente da Banda Musical de Amarante, estando sempre ligado a nós, tendo aliás tido um papel iportante na reconstituição da Banda no início de 2008, após a sua queda.

Fica o desejo de boa sorte para aquele que ficará para sempre como o nosso símbolo de um "Padre Moderno".

mais informações aqui