Avisos:

A Banda de Amarante vai apresentar-se em Peroselo, Penafiel, para a festa em honra da Nª Srª da Visitação, no próximo dia 7 -- VI Estágio de Verão e Curso de Aperfeiçoamento de Sopros e Percussão (este ano com o maestro José Rafael Pascual Vilaplana) de 19 a 23 de Agosto -- Banda Musical de Amarante - Vencedora do 1º Prémio/III Escalão do IV Concurso Internacional Ateneu Artístico Vilafranquense e Prémio Tauromaquia

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Actualização

A Banda Musical de Amarante não se apresentou ao vivo no dia 1 de Maio passado. Motivo? Imprevisibilidade do estado do tempo. Ora chovia, ora havia uma aberta no céu. As condições não eram as melhores e, em boa verdade, este cenário foi recorrente no mesmo dia em situações de outras colectividades filarmónicas que se iam apresentar ao vivo também. Menos uma efeméride no calendário? Nem por isso.

A Banda estuda, neste momento, o melhor dia para a marcação desse mesmo concerto, não se avaçando para já com datas, mas assegurando que todos os esforços estão a ser feitos no sentido de conferir à nossa terra a actuação que ela merece. No entanto, aproxima-se, de forma rápida, uma das datas mais importantes do calendário: as Festas da Cidade.
Neste ano está prevista a presença de uma das melhores bandas da região, em mais uma de muitas provas de que a Câmara Municipal de Amarante nunca vacila no que diz respeito a garantir aos cidadãos a melhor qualidade cultural. No Domingo a festa é 100% caseira, com a presença da Banda de Mancelos, uma congénere do nosso conselho, que orgulhosamente recebemos todos os anos, tal como em alguns anos eles nos recebem na festividade de uma terra extremamente afecta a eles (Figueiró).
Esforços são feitos todos os dias na nossa sede, com vista a melhorar cada vez mais a nossa qualidade e organização.
  • Começando pela última: todos os Sábados, pela tarde, uma equipa de elementos trabalha afincadamente na reorganização do arquivo musical da Banda. É uma tarefa que requer muito tempo, pelo que é necessário filtrar o arquivo de outros tempos, seleccionando o que deve figurar no arquivo museu, o que se deve manter no arquivo actual e o que simplesmente não tem qualidade. É, também necessário, organizar ainda melhor todo o material debitado há já 4 anos, muito em jeito de emergência que se fez sentir numa altura em que era preciso fazer renascer a Banda, garantindo também que todos os executantes têm acesso às diferentes partes de todas as peças.
  • A escola da Banda vive dias plenos de actividade. Estando o nosso maestro Armando Teixeira encarregue da organização desta, conta com a presença nos trabalhos dos elementos com mais habilitações do corpo executante, bem como dos elementos mais antigos. Isto pela necessidade, não só de ensinar aos meninos a música da forma mais diversificada e acertada, mas também de lhes ensinar o que é ser Amarante e o que é ser Banda de Amarante.
  • Os ensaios são o processo mais importante. Todas as semanas a Banda reúne-se e pratica exercícios de conjunto, reavivando depois as obras do seu repertório, juntando as novas que este ano se têm ensaiado.
Eis o trabalho que os elementos têm desempenhado, não só por si, mas pela Banda e por Amarante. Novos desafios virão e, ao nosso peito, viaja sempre connosco o nome da nossa origem, seja nos claustros da C.M.A. no próximo Estágio de Verão, seja na Casa da Música do Porto em fins de Julho. Amarante vai estar bem entoada nesses momentos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Páscoa 2011 - Três quadros

Há tradições que não devemos nunca terminar e que devemos dedicar-nos a elas, por muito desagradáveis que sejam, por muito trabalhosas que pareçam, por muito pouco musicais ou artísticas que se nos aparentem. À cidade de Amarante devemos tudo, incluindo a nossa existência e identidade. Somos a Banda Musical de Amarante, uma cidade que não foi a mesma sem nós, naquele curto período de existência em que fechámos as portas; uma cidade que chorou no nosso regresso, ironicamente na Páscoa de 2008. Assim, por esta terra que inscreve o seu nome nos nossos casacos e camisas, e nos nossos corações, que nos deixa saudades quando estudamos no Porto ou em Aveiro, trabalhamos em Lisboa ou no Algarve ou emigramos para a Suiça; por esta terra devemos sempre superar-nos, dedicar-nos com todo o coração, aguentar o esforço mental e físico que os desafios nos apresentam e ser rigorosos naquilo que fazemos. É com tal mentalidade, a de sermos amarantinos e darmos valor a isso única e simplesmente pela cidade que nos viu nascer, que nos devemos apresentar para um serviço artisticamente ingrato e penoso como as celebrações da Páscoa.

Começando pela Sexta-feira Santa, primeiro momento das celebrações pascais que adornámos neste ano. Às 21h00 o cortejo fúnebre saiu da igreja da Santa Casa da Misericórdia de Amarante. Devotos amarantinos dão um simbolismo e profundidade imensos à romaria, um silêncio aterrador constrói um carácter em sintonia com a ocasião. A isto tudo junta-se a sequência musical que a Banda confere. Ao som das marchas fúnebres "Alma Máter" e "Solidão", num toque seco de caixa, com uma enorme sensibilidade de dinâmicas e suavidade de som, os músicos da Banda Musical de Amarante ofereceram uma banda sonora intensa, pautada também com silêncios bem calculados, de forma a não tornar a procissão num "chapar" de temas, que cansariam executantes e espectadores. Uma noite agradável, com uma procissão carregada de fé, num escuro algo luminoso (ainda assim) e místico das pedras das igrejas que fazem parte do itinerário, numa bruma tamegã que embalava os presentes e conferia uma agradável temperatura. Ingredientes que viram uma noite perfeita ser apenas contrariada por um estabelecimento que sentiu necessidade de ter umas luzes um pouco mais ligadas que os restantes. Uma noite perfeita completamente estragada pelas sirenes de alarme e pela correria desenfreada dos veículos dos Bombeiros Voluntários de Amarante em emergência. Acabava de ocorrer uma tragédia em Vila Chã do Marão - um carro abalroava uma procissão de fé, ferindo várias pessoas e vitimando, ao que consta, outras duas de forma mortal. Um ponto final negro numa noite de vigília e de lamento cristão.

No Sábado, a Banda optou por não parar. Era tempo de trabalharmos aspectos importantes: união e arte. A união aperfeiçoou-se "em campo, dentro das 4 linhas". Os elementos da Banda pisaram o pavimento do pavilhão desportivo de Amarante, em S. Lázaro, para uma partida de futebol entre amigos. Um momento de convívio que tem sido símbolo do divertimento entre os músicos, perpetuado em dias importantes como têm sido, noutras ocasiões, as festas da Cidade e o Estágio de Verão. Desta vez a Páscoa também teve direito a esse momento, antes ainda de um ensaio geral. Aí, trabalhou-se a vertente artística. A sala de ensaio encheu-se para aperfeiçoar a interpretação das mais recentes obras do nosso repertório. Os músicos sentem hoje mais vontade de estar presentes e trabalhar. Dizemo-lo sem problema algum: tocamos obras difíceis e estimulantes e tocamo-las bem. A Banda encontra-se como uma só em palco (em ensaio, para já) e, de fora, diz quem sabe, soa bem. É o que queremos: não parar por aqui, mas sim passar por aqui num caminho que queremos percorrer sem parar - o caminho de nos melhorarmos a nós próprios.

No Domingo vinha a parte mais dura. Deveríamos, como em todos os anos o fazemos, acompanhar a Visita Pascal pela paróquia de S. Gonçalo de Amarante. A boa-nova da Ressurreição fez-se acompanhar por música de desfile. As casas estavam cheias de famílias para receber a Palavra e aplaudir a Banda.
Começou-se bem cedo, no Mosteiro de S. Gonçalo, onde as equipas e a Banda receberam as instruções do pároco e se fizeram ao caminho, pelo trajecto habitual. Pelo meio as pessoas a saudar o desfile, a oferecerem brindes aos músicos. Do lado de dentro da formação um convívio e boa disposição. Fez-se o caminho desde o centro histórico, pela zona marginal conhecida como Baseira, subindo à zona onde se encontram as escolas públicas, continuando até à partilha com a freguesia de Gatão, atravessando até à estrada nacional 15. Um caminho duro mas conseguido com brilhantismo, sempre acompanhados pelo som das campainhas de compasso, apesar da intensa pressão para andarmos mais rápido - mesmo tendo encolhido tempos conseguidos nos últimos anos.
Durante a tarde o cenário complicou-se. E nós, músicos, devemos ser os primeiros a apontar o dedo. Amarante tem o nosso pedido de desculpas pelo atraso no reinício. Foram curtos minutos, mas o suficiente para choverem críticas, seja de gente que só saber fazer isso (criticar) ou de pessoas que, com razão, se sentiram lesadas. Podemos culpar o trânsito ou os semáforos vermelhos em sequência. Mas atrasámos a saída e, hoje, devemo-nos sentir mais orgulhosos ainda de sermos amarantinos pois, apesar de tudo isso, o largo de S. Gonçalo manteve-se cheio de pessoas, sem perder a vontade de esperar pela nossa saída, até começarmos a desfilar rua acima. É sinal de que hoje somos admirados pela qualidade e não por sermos muitos em quantidade e termos muitas festas (o que até está a mostrar-se um cenário em franca melhoria) - mas também é sinal que somos uma instituição de uma cidade que nos respeita e ama, que espera por nos ver tocar e gosta do que vê e, acima de tudo, ouve. É esta qualidade que devemos trabalhar para conquistar os nossos concidadãos, uma conquista que é provada em momentos como este que, no meio de um desleixo nosso, acabou por ser positivo.
A Banda seguiu, então, a caminho do Campo da Feira, para depois descer ao quartel dos Bombeiros e seguir por sta. Luzia até regressar ao mosteiro. Foi duro, há que dizer. Estivemos sempre à beira dos compassos e acusaram-nos de atraso, choveu, protegemos o nosso instrumental e acusaram-nos de desrespeito por não tocarmos para as pessoas. São perjúrios de quem não compreende que somos uma só formação para 7 equipas de compasso e que tocar naquelas condições seria igual ou pior que colocar o órgão de tubos do mosteiro debaixo de "só umas pinguinhas". É isto que torna o serviço ingrato mas que, com a liderança firme de maestros e directores, permitiu que fizéssemos o nosso caminho até ao fim, com êxito, imunidade à pressão e premiados de aplausos pela nossa "casa irmã" que fica no quartel dos Bombeiros Voluntários, na sempre bonita cerimónia de tocar ao som das sirenes sob o cenário da multidão à volta da cruz de serrim.

Terminaria toda a celebração no início da missa, com uma marcha no interior da igreja. Mais uma Páscoa, a grande maratona que ensina humildade a quem desta Banda faz parte. Os parabéns a toda a organização por parte da paróquia e, acima de tudo, aos músicos da Banda pelo empenho. O desejo de boa sorte à nossa congénere da Lixa para o serviço, ainda mais puxado, do dia seguinte, na paróquia de S. Veríssimo. Os agradecimentos a quem nos recebeu no calor dos seus lares, especialmente para os executantes Agostinho Ribeiro e Beatriz Monteiro que, apesar de tudo, muita "ginástica" fizeram para estarem a tocar na Banda, receberem a Visita em suas casas e ainda receberem, também, os seus colegas para o convívio com bebidas e doces.

O trabalho continua, com a preparação de um concerto. Lutámos contra o clima, a resistência física, a pressão do evento e contra nós próprios. Mas, por uma cidade que o merece, estivemos à altura e prometemos igual ou melhor esforço e dedicação para este próximo concerto que queremos oferecer a Amarante, no próximo dia 1.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Inovando

Os meses de Janeiro e Fevereiro de 2011 ficam marcados na história recente da Banda Musical de Amarante. Acima de tudo pelo conceito de inovação que. Foi neste período que demos largas a mais um evento pedagógico e musical com sucesso e que foram eleitos os corpos directivos para os próximos três anos.

Começando pelo I Curso de Direcção de Banda, o primeiro curso do género na região - desde um curso promovido pelo INATEL há cerca de 30 anos. Há que referir que o sucesso do evento ultrapassou a expectativa. Foram 10 participantes, 3 deles como ouvintes, em busca de ensinamentos do nosso director artístico. Um trabalho árduo para a Banda, que serviu de ferramenta de trabalho para os maestros. Era necessário repetir várias vezes a mesma obra ou trecho, não para uma correcção à Banda, mas sim ao aprendiz de maestro, na sua técnica, expressividade e movimentos. Era necessário, sempre que havia uma solicitação para se parar de tocar, parar mesmo, de modo a que se perdesse o mínimo de tempo nos ensaios. A Banda - bem como o quarteto do segundo dia de trabalhos - correspondeu da melhor forma, respondendo a cada movimento de cada um dos diferentes maestros, de modo a estes se darem conta da sua evolução e dos seus erros. O produto final resultou num concerto na sede da Banda, onde cada participante teve direito a dirigir uma obra. Bons momentos musicais que mostraram aos espectadores o fruto do trabalho durante os dias, com realce especial para Artur Senhor e Emanuel Silva, elementos da Banda que se apresentaram a dirigir neste concerto. Os parabéns a eles e seus colegas no curso, pela experiência que ganham e conferem também à Banda - enriquecida pela diversidade de experiências de direcção em apenas 3 dias; os parabéns a todos os músicos que, durante o evento, mostraram ter as obras preparadas de modo a não ser necessária correcção à Banda, num tempo dedicado principalmente às técnicas de direcção. Os parabéns à organização e ao nosso director artístico, Fernando Marinho, pelo sucesso do evento.

No início de Fevereiro, teve lugar, desta vez, o importantíssimo processo de eleição dos corpos directivos para o triénio seguinte. Passados três anos da tomada de posse da anterior direcção (a 8 de Fevereiro de 2008), tal como precisa a lei, foram eleitos os directores para os próximos anos.
Desta eleição resultou a continuidade da direcção que estava ao serviço, com adição de dois novos elementos, como um sinal de estabilidade, tendo sido a única lista a candidatar-se.
O corpo musical da Banda de Amarante reitera o seu apoio a esta direcção pelo seguinte número de razões:
  • Qualidade: de todas as opções para maestro que foram tidas em conta, nenhuma reunia consenso entre os músicos, senão Fernando Marinho, com uma qualidade reconhecida no universo filarmónico e um currículo que fala por si. A sua agenda extremamente complicada, dividida entre Lisboa e Porto não impediu que pudesse colaborar com a Banda, ao contrário de quaisquer outras opções, ainda assim fixadas a Norte. A aposta no maestro Armando Teixeira e na sua evolução revelou-se importante e hoje colhemos os frutos da simbiose entre os dois, não conhecendo limites na nossa vontade de evoluir.
  • Projecto: num cenário de crise, optar por serviços de romaria com orçamentos baixos, arriscando assim a saúde financeira da Instituição em compromissos que não o justificam, ficou entendido entre os músicos como algo dispensável. O trabalho desenvolvido em busca de uma qualidade sonora implica requisitos ao nível do número de músicos e diversidade tímbrica. Assim sendo, em vez de se optarem por festas, com baixos orçamentos e com um número reduzido de músicos só para preencher o calendário, o projecto passa por objectivos pedagógicos e evolutivos, onde se inserem agora dois cursos e estágios. Desta forma, realça-se que uma banda filarmónica persegue qualidade musical e não divertimento festivo. No entanto, cada vez mais compromissos têm surgido no calendário, a grande maioria agradáveis e com boas bandas congéneres.
  • Renovação: a direcção eleita vinha-se focando na aposta nos jovens valores da terra, de modo a reconstruir a Banda a partir da sua escola.
  • Estabilidade financeira: a grande dívida que os directores anteriores a 2008 arduamente trabalhavam para apagar, está completamente debelada. Aliás, os últimos relatórios e contas mostravam antes saldo positivo. Como expresso no ponto acima, os músicos apoiam a escolha consciente dos compromissos no calendário se se traduzir na saúde financeira da Banda e na boa qualidade das condições para a execução musical.
São alguns dos motivos que agradam e muito ao corpo musical. Alguns executantes houveram que divergiram com esta filosofia mas que, por serem poucos, se afastaram da Banda - a quem nós respeitosamente guardamos pena de não contar com a sua presença.
Apesar da continuidade, a palavra inovação aplica-se aqui também, pois há objectivos atingidos mas há, também, objectivos a alcançar - a incessante busca de nos melhorarmos a cada ensaio e concerto. Os sócios escolheram e mantém-se o projecto.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Festa a S. Gonçalo de Amarante

Em 2009 a data era redonda - 750 anos. No ano passado, a efeméride contou com a presença de uma estação de televisão e, mais importante ainda, do bispo do Porto, D. Manuel Clemente. Neste ano, a paróquia de S. Gonçalo requisitou serviços mínimos da Banda, mais por barreiras financeiras. Os músicos teriam que se deslocar à igreja, no final da celebração dominical, para intepretarem o Hino a S. Gonçalo.

Neste dia, 16 de Janeiro de 2011, pode-se muito bem fazer uma demonstração do que é trabalhar hoje na Banda Musical de Amarante. Poder-vos-ia contar que a Banda se apresentou, por volta das 11h45, à porta do mosteiro de S. Gonçalo, afinou e interpretou o Hino a S. Gonçalo. Seria mentira. O plano de trabalhos começou às 10h30. Na sede da nossa Banda, os músicos reuniram-se para, primeiro de tudo, aperfeiçoar a interpretação. Contando apenas com o corpo conterrâneo, praticou-se a interpretação e musicalidade da Banda, de tal forma que, já no fim do mini-ensaio, a naturalidade com que o Hino era interpretado denotava a naturalidade com que a sensibilidade dos músicos saía durante uma obra. Tudo num trabalho contínuo, que apenas encontrou prolongamento nesses minutos em que os músicos encontraram sinergia na sala de ensaio. O mais importante estava então conseguido.

Desta forma, agora sim, pelas 11h45, os músicos da Banda apresentaram-se ao serviço, na entrada do fundo do mosteiro de S. Gonçalo, para interpretarem o Hino a S. Gonçalo de Amarante, após o cântico de comunhão da missa dominical, como parte da cerimónia. Foi um pequeno momento de devoção por parte dos músicos amarantinos, de uma Banda que não esquece nunca as suas inspirações - Amarante, S. Gonçalo e os amarantinos - dedicando a esta cidade que a viu nascer, não só concertos solenes, mas também pequenos momentos de arte musical.

Coincide esta data com a integração no corpo musical de mais um elemento: Daniel Silva junta-se à Banda Musical de Amarante, em saxofone tenor. Seja bem-vindo à nossa família, que fique com muitos anos e que encontre aqui um complemento à evolução da sua qualidade, bem como uma oportunidade de, com ela, contribuir.

Os órgãos de comunicação e divulgação da Banda Musical de Amarante aproveitam também para dar a conhecer mais uma iniciativa pioneira na nossa região: o I Curso de Direcção de Banda, dirigido pelo nosso director artístico e maestro do Grupo Recreativo e Musical Banda de Famalicão - Fernando Marinho. Entre os dias 28, 29 e 30 de Janeiro, decorrerão aulas de direcção e ensaios, nos quais a Banda de Amarante será o instrumento de trabalho dos alunos de direcção. O concerto do dia 30 será o corolário do evento. Mais informações serão conhecidas nos próximos dias.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Boas Festas 2010/11

Um Santo Natal. Um harmonioso ano novo. São simples e humildes desejos nossos, que vos visitamos nestas noites frias. Ousamos desafiar o frio intenso para vir estar junto dos amigos que acederam em nos receber e nos ajudar. Neste Natal queremos celebrar a sobrevivência à crise, respirando saudavelmente no meio da maleita económica mundial e nacional que se sente. Somos a Banda, nós músicos e cantadores e vós nobres anfitriões, que fazem a Instituição viver sempre mais dias, conferindo a oportunidade aos artistas de inovar e reinventar esta sociedade de música e arte, trazendo novos sons a esta terra que se enche de bruma e luz, mesmo em noites escuras, para sentir no ar o espírito de Natal, a alegria de chegarmos a esta época vivos.

Também celebramos a esperança. Esperança de evoluirmos. Antes de qualquer evolução tecnológica, uma evolução intelectual e moral, “que o coração lá no fundo invente um novo ser”. Foi a grande missão do Menino agora nascido, trazer uma mensagem de bondade, somente dizendo “faz aos outros aquilo que gostavas que te fizessem a ti”. Talvez seja a cura para qualquer crise mundial—a união dos povos, conforme sonhou um dia Beethoven.

Um Feliz Natal e um óptimo 2011!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

156º Aniversário da Banda Musical de Amarante

"A Banda está na Rua"
O dia nasceu frio. Ameaçou chuva, pois a pluviosidade nocturna assim o fez prever. No entanto, era dia da Banda saír à rua e, contrariamente ao azar do último ano, foi possível fazê-lo.

A tradição não falhou. No aniversário da Banda Musical de Amarante, pela manhãzinha, figos secos, bolachas, água ardente, vinho do Porto e sumos esperavam os músicos na sede da Banda. Alinharam-se as filas, afinaram-se os instrumentos, com toda a dificuldade do frio imenso que se sentia na rua que baixava a afinação dos instrumentos, e começou-se o desfile. O Hino da Restauração percorreu as ruas da cidade, homenageando a nossa Amarante e os símbolos que nos ligam a ela. A nossa casa, onde trabalhamos arduamente para nos aperfeiçoarmos artisticamente, os Bombeiros Voluntários de Amarante, uma casa irmã que vibra com os nossos passos, o cemitério, onde imortais membros do nosso grupo repousam e nunca são esquecidos, o centro da cidade, património de todos nós, marco de uma antiguidade da qual também a Banda partilha. O mosteiro de S. Gonçalo albergou a cerimónia cristã da consagração da Banda, celebrada pelo Pe. Castro, em substituição do pároco José Miranda, com a colaboração dos nossos elementos nas leituras e actuações corais.

Esta manhã de 1 de Dezembro, vindo tão espaçada entre o calendário de serviços, funciona como uma cola entre os músicos. O caminhar juntos, trabalhar e afinar, rir e conversar, são factores que funcionam como união entre os músicos, revelando a meta que a Banda define em conjunto, nunca apenas por decisão de directores, mas como decisão do grupo. Somos um grupo, a Banda de uma cidade e juntos decidimos o nosso rumo.

À tarde esperava-nos o concerto. Um pequeno ensaio pouco antes, para ultimar as peças a apresentar e para o fotógrafo de serviço preparar o seu árduo trabalho para hoje podermos contar com as imagens deste momento.
A actuação estaria entregue ao nosso maestro Armando Teixeira, havendo espaço ainda para o director artístico Fernando Marinho dirigir uma obra. Afinação, contraste de dinâmicas, agressividade na interpretação contrastando também com sensibilidade e muita diversão foram alguns dos aspectos marcantes do concerto. Relembraram-se obras que marcaram o nosso Verão e ainda houve espaço para uma pequena diversão com uma... chávena de café.

Os discursos de quem teve a palavra visaram factores importantes na vida da Instituição. O nosso presidente vincou, em sua defesa e em verdade, o trabalho árduo de toda a Direcção: o que custa obter serviços sem haver qualquer tipo de mecenato, a não aposta na tentação de contar com o dito mecenas (ou "Messias", como diria o Sr. Presidente da C.M.A. Dr. Armindo Abreu) para não deixar a Banda à deriva num dia em que tudo isso acabe, o esforço pelo não endividamento numa altura em que a crise é de carácter internacional, a aposta no futuro e na escola e um apelo para os amarantinos, enquanto disponíveis, se abrirem para a Banda, se tornarem sócios e nunca deixarem morrer esta que é uma das muitas tradições que a nossa terra tem que valem a pena.
O nosso maestro vincou algo ainda mais importante: a união. Pode haver quem ache esquisito a Banda ter ao seu dispor dois maestros. Entendem-se? Anda um a mando do outro? Anda um a ver se "destrona" o outro? Não. A maior força da direcção artística é terem-se um ao outro como irmãos. Se Fernando Marinho é o maestro com o currículo que ele tem, sabe reconhecer o trabalho árduo que Armando Teixeira desempenha sábado após sábado com o grupo. Enquanto que este, reconhece aquela "luz" que emana de alguém que funciona como um mentor, nun
ca deixando de procurar novas técnicas, novos ensinamentos, em prol da sua evolução e da ajuda que pode oferecer à Banda.

Um sinal forte da união, imagem de marca da nossa Banda, apreendida por quem dela quer fazer parte, demonstrada perante o público.

Findo o concerto, espaço para o jantar. Ambiente de intimidade entre os músicos, os aniversariantes. Mais discursos, desta vez de representantes da Câmara Municipal, vincando algo que o nosso presidente referiu no seu discurso. A Banda de Amarante encara a vida com realismo, sem entrar em megalomanias de preencher o calendário de serviços, se tal não for económicamente viável. Uma instituição como a nossa deve sobreviver, acima de tudo. Pela sua história e por todos aqueles que dela fizeram parte. No entanto, o aumento do número de serviços de 2009 para 2010 apenas demonstra que a aposta nos serviços tem sido bem feita, que as rejeições não implicam que não se façam bons serviços, com boas bandas a acompanhar-nos. Desta forma, sem nunca nos endividarmos para mostrar a Banda em romarias sem fim, é possível apresentarmo-nos no nosso aniversário, o marco mais importante do calendário, podendo dizer que respiramos saúde, que temos as contas em dia e que sobrevivemos a tudo.

A Banda cresce, contra muitas expectativas. Pudemos apresentar três novos músicos: de Mafra, migrando para o norte por motivos de trabalho, chega-nos Rui Almeida, em tuba; João Marinho, em percussão, que fora elemento da Banda da Lixa; Beatriz Ferreira, em eufónio, formada na Escola da Banda.
Junta-se também a Dra. Marta Marinho, membro dos corpos sociais da Direcção da Banda, executante em clarinete, que regressa ao corpo musical, vários anos depois de ter abandonado para ingressar na Banda da Lixa.
São sinais de continuidade e renovação; sinais também da proximidade entre instituições de zonas vizinhas.

Foi este o retrato de mais um aniversário. No dia 4, a Rádio Região de Basto emitiu uma entrevista ao nosso vice-presidente Victor Costa e ao maestro Armando Teixeira no programa "Espaço Aberto". Contou-se a história que todos podemos acompanhar neste blogue, inclusivé, bem como a realidade do trabalho que se desenvolve. Vincou-se a postura de quem representa a Instituição, nunca procurar protagonismo individual, mas a sobrevivência de uma causa maior que todos nós, a Banda Musical de Amarante.

Programa do concerto:
  • Hino da Restauração - abertura solene
  • Hispânico, passodoble - Nuno Osório
  • First Suite in Eb - Gustav Holst
  • Pacis Valley - Ben Haemhouts
  • Coffee Serenade - Ted Huggens
  • A Volta a Portugal, rapsódia - Luís Cardoso
  • Hino da Restauração - fecho solene
As fotos e gravações podem ser encontradas no nosso site.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

É quase Dezembro...

É quase Dezembro. Será o corolário de um ano extremamente delicado para a Banda. 2010 marcou o esforço de se apostar terrivelmente mais no que é fixo e da terra, numa tentativa de criar uma identidade ainda mais amarantina, sem nunca esquecer a qualidade e os ensinamentos que os nossos colaboradores têm trazido ao longo dos anos, junto com uma amizade que teima em prevalecer.

Contra todas as expectativas de uma grave crise económica, apresentámo-nos em mais serviços que no ano de 2009. Demo-nos a conhecer a novas terras, aprendemos qualidade com boas bandas, que nos vieram reconhecer também a nossa qualidade. Mas também saboreámos do pior: fomos tratados em algumas festas de forma deplorável, por gente que esperava que tocássemos horas a fio, sem poder descansar ou refrescar, debaixo de um calor infernal, sem gozar os intervalos de um "protocolo" de planeamento de actuações que todas as bandas no país seguem. Talvez não tiveram dinheiro para comprar um rádio e altifalantes.
Demos a conhecer, como em outros anos, mais música nova, apurada e complexa, neste ano em especial, maioritariamente portuguesa; pois somos nós um importante veículo para divulgação e cultivo da arte musical na cidade, ostentamos essa responsabilidade.
Chega ao fim um ano em que devemos pensar bem no que queremos, abraçando um projecto filarmónico implicando grandes festas e romarias para dar projecção ao nosso nome ou arriscando um projecto mais sinfónico e pedagógico para mais serviços do género do nosso Estágio de Verão, aperfeiçoando a nossa qualidade sonora e interpretativa.

Têm sido três anos duros. Optou-se, com a melhor das intenções, em 2007, cessar actividades na Banda. Hoje os músicos concordam na precipitação que essa medida foi. O quórum levou um enorme rombo devido à grande totalidade de colaboradores que seguiram a sua vida. Uma medida que se revelou igualmente efémera pois, poucos meses depois, a Banda com um espírito reformulado já ensaiava um repertório completamente novo, para voltar a saír à rua e actuar para todos os amarantinos. Alguns disseram que a Banda mais rápido fechava portas que o que se safaria sem alguns, mas eis-nos aqui hoje. Outros disseram que éramos uma Banda sem músicos da casa, mas estavam e sempre estiveram lá esses músicos da casa, lado a lado com outros músicos de grande reconhecimento, a aprenderem a não ser nunca largos na quantidade e parcos na qualidade. Houve ainda quem dissesse que estávamos de rastos, mas muita gente prefere gravações "pirata" de alguns concertos nossos a CD's com o devido tratamento da autoria das bandas de quem manda tais bocas. Hoje a Banda já não luta para sobreviver - hoje a Banda VAI sobreviver.

É quase Dezembro e, no primeiro dia desse mês, mais dois alunos irão vestir a farda azul-rubra pela primeira vez. Aplicaram-se e mostraram aos seus companheiros o fruto do seu trabalho, provando assim a responsabilidade que é pertencer-se a esta Banda. Nesse dia 1 estamos todos de parabéns: todos nós que não nos afastámos da Banda nem da Música, que não aceitámos propostas mais tentadoras para não abandonar a nossa Instituição quando ela mais precisava de nós; todos aqueles que, num dia 1 de Dezembro qualquer, foram anunciados como executantes do nosso grupo, pois a eles pertencem muitas das páginas da nossa grande história e, quem dela faz parte, aqui nunca será esquecido.

Vem aí o dia 1, em que a Banda de todos nós, amarantinos, vai saír à rua (salvo qualquer partida pluviométrica).