Avisos:

A Banda de Amarante vai apresentar-se em Peroselo, Penafiel, para a festa em honra da Nª Srª da Visitação, no próximo dia 7 -- VI Estágio de Verão e Curso de Aperfeiçoamento de Sopros e Percussão (este ano com o maestro José Rafael Pascual Vilaplana) de 19 a 23 de Agosto -- Banda Musical de Amarante - Vencedora do 1º Prémio/III Escalão do IV Concurso Internacional Ateneu Artístico Vilafranquense e Prémio Tauromaquia

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Boas Festas 2010/11

Um Santo Natal. Um harmonioso ano novo. São simples e humildes desejos nossos, que vos visitamos nestas noites frias. Ousamos desafiar o frio intenso para vir estar junto dos amigos que acederam em nos receber e nos ajudar. Neste Natal queremos celebrar a sobrevivência à crise, respirando saudavelmente no meio da maleita económica mundial e nacional que se sente. Somos a Banda, nós músicos e cantadores e vós nobres anfitriões, que fazem a Instituição viver sempre mais dias, conferindo a oportunidade aos artistas de inovar e reinventar esta sociedade de música e arte, trazendo novos sons a esta terra que se enche de bruma e luz, mesmo em noites escuras, para sentir no ar o espírito de Natal, a alegria de chegarmos a esta época vivos.

Também celebramos a esperança. Esperança de evoluirmos. Antes de qualquer evolução tecnológica, uma evolução intelectual e moral, “que o coração lá no fundo invente um novo ser”. Foi a grande missão do Menino agora nascido, trazer uma mensagem de bondade, somente dizendo “faz aos outros aquilo que gostavas que te fizessem a ti”. Talvez seja a cura para qualquer crise mundial—a união dos povos, conforme sonhou um dia Beethoven.

Um Feliz Natal e um óptimo 2011!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

156º Aniversário da Banda Musical de Amarante

"A Banda está na Rua"
O dia nasceu frio. Ameaçou chuva, pois a pluviosidade nocturna assim o fez prever. No entanto, era dia da Banda saír à rua e, contrariamente ao azar do último ano, foi possível fazê-lo.

A tradição não falhou. No aniversário da Banda Musical de Amarante, pela manhãzinha, figos secos, bolachas, água ardente, vinho do Porto e sumos esperavam os músicos na sede da Banda. Alinharam-se as filas, afinaram-se os instrumentos, com toda a dificuldade do frio imenso que se sentia na rua que baixava a afinação dos instrumentos, e começou-se o desfile. O Hino da Restauração percorreu as ruas da cidade, homenageando a nossa Amarante e os símbolos que nos ligam a ela. A nossa casa, onde trabalhamos arduamente para nos aperfeiçoarmos artisticamente, os Bombeiros Voluntários de Amarante, uma casa irmã que vibra com os nossos passos, o cemitério, onde imortais membros do nosso grupo repousam e nunca são esquecidos, o centro da cidade, património de todos nós, marco de uma antiguidade da qual também a Banda partilha. O mosteiro de S. Gonçalo albergou a cerimónia cristã da consagração da Banda, celebrada pelo Pe. Castro, em substituição do pároco José Miranda, com a colaboração dos nossos elementos nas leituras e actuações corais.

Esta manhã de 1 de Dezembro, vindo tão espaçada entre o calendário de serviços, funciona como uma cola entre os músicos. O caminhar juntos, trabalhar e afinar, rir e conversar, são factores que funcionam como união entre os músicos, revelando a meta que a Banda define em conjunto, nunca apenas por decisão de directores, mas como decisão do grupo. Somos um grupo, a Banda de uma cidade e juntos decidimos o nosso rumo.

À tarde esperava-nos o concerto. Um pequeno ensaio pouco antes, para ultimar as peças a apresentar e para o fotógrafo de serviço preparar o seu árduo trabalho para hoje podermos contar com as imagens deste momento.
A actuação estaria entregue ao nosso maestro Armando Teixeira, havendo espaço ainda para o director artístico Fernando Marinho dirigir uma obra. Afinação, contraste de dinâmicas, agressividade na interpretação contrastando também com sensibilidade e muita diversão foram alguns dos aspectos marcantes do concerto. Relembraram-se obras que marcaram o nosso Verão e ainda houve espaço para uma pequena diversão com uma... chávena de café.

Os discursos de quem teve a palavra visaram factores importantes na vida da Instituição. O nosso presidente vincou, em sua defesa e em verdade, o trabalho árduo de toda a Direcção: o que custa obter serviços sem haver qualquer tipo de mecenato, a não aposta na tentação de contar com o dito mecenas (ou "Messias", como diria o Sr. Presidente da C.M.A. Dr. Armindo Abreu) para não deixar a Banda à deriva num dia em que tudo isso acabe, o esforço pelo não endividamento numa altura em que a crise é de carácter internacional, a aposta no futuro e na escola e um apelo para os amarantinos, enquanto disponíveis, se abrirem para a Banda, se tornarem sócios e nunca deixarem morrer esta que é uma das muitas tradições que a nossa terra tem que valem a pena.
O nosso maestro vincou algo ainda mais importante: a união. Pode haver quem ache esquisito a Banda ter ao seu dispor dois maestros. Entendem-se? Anda um a mando do outro? Anda um a ver se "destrona" o outro? Não. A maior força da direcção artística é terem-se um ao outro como irmãos. Se Fernando Marinho é o maestro com o currículo que ele tem, sabe reconhecer o trabalho árduo que Armando Teixeira desempenha sábado após sábado com o grupo. Enquanto que este, reconhece aquela "luz" que emana de alguém que funciona como um mentor, nun
ca deixando de procurar novas técnicas, novos ensinamentos, em prol da sua evolução e da ajuda que pode oferecer à Banda.

Um sinal forte da união, imagem de marca da nossa Banda, apreendida por quem dela quer fazer parte, demonstrada perante o público.

Findo o concerto, espaço para o jantar. Ambiente de intimidade entre os músicos, os aniversariantes. Mais discursos, desta vez de representantes da Câmara Municipal, vincando algo que o nosso presidente referiu no seu discurso. A Banda de Amarante encara a vida com realismo, sem entrar em megalomanias de preencher o calendário de serviços, se tal não for económicamente viável. Uma instituição como a nossa deve sobreviver, acima de tudo. Pela sua história e por todos aqueles que dela fizeram parte. No entanto, o aumento do número de serviços de 2009 para 2010 apenas demonstra que a aposta nos serviços tem sido bem feita, que as rejeições não implicam que não se façam bons serviços, com boas bandas a acompanhar-nos. Desta forma, sem nunca nos endividarmos para mostrar a Banda em romarias sem fim, é possível apresentarmo-nos no nosso aniversário, o marco mais importante do calendário, podendo dizer que respiramos saúde, que temos as contas em dia e que sobrevivemos a tudo.

A Banda cresce, contra muitas expectativas. Pudemos apresentar três novos músicos: de Mafra, migrando para o norte por motivos de trabalho, chega-nos Rui Almeida, em tuba; João Marinho, em percussão, que fora elemento da Banda da Lixa; Beatriz Ferreira, em eufónio, formada na Escola da Banda.
Junta-se também a Dra. Marta Marinho, membro dos corpos sociais da Direcção da Banda, executante em clarinete, que regressa ao corpo musical, vários anos depois de ter abandonado para ingressar na Banda da Lixa.
São sinais de continuidade e renovação; sinais também da proximidade entre instituições de zonas vizinhas.

Foi este o retrato de mais um aniversário. No dia 4, a Rádio Região de Basto emitiu uma entrevista ao nosso vice-presidente Victor Costa e ao maestro Armando Teixeira no programa "Espaço Aberto". Contou-se a história que todos podemos acompanhar neste blogue, inclusivé, bem como a realidade do trabalho que se desenvolve. Vincou-se a postura de quem representa a Instituição, nunca procurar protagonismo individual, mas a sobrevivência de uma causa maior que todos nós, a Banda Musical de Amarante.

Programa do concerto:
  • Hino da Restauração - abertura solene
  • Hispânico, passodoble - Nuno Osório
  • First Suite in Eb - Gustav Holst
  • Pacis Valley - Ben Haemhouts
  • Coffee Serenade - Ted Huggens
  • A Volta a Portugal, rapsódia - Luís Cardoso
  • Hino da Restauração - fecho solene
As fotos e gravações podem ser encontradas no nosso site.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

É quase Dezembro...

É quase Dezembro. Será o corolário de um ano extremamente delicado para a Banda. 2010 marcou o esforço de se apostar terrivelmente mais no que é fixo e da terra, numa tentativa de criar uma identidade ainda mais amarantina, sem nunca esquecer a qualidade e os ensinamentos que os nossos colaboradores têm trazido ao longo dos anos, junto com uma amizade que teima em prevalecer.

Contra todas as expectativas de uma grave crise económica, apresentámo-nos em mais serviços que no ano de 2009. Demo-nos a conhecer a novas terras, aprendemos qualidade com boas bandas, que nos vieram reconhecer também a nossa qualidade. Mas também saboreámos do pior: fomos tratados em algumas festas de forma deplorável, por gente que esperava que tocássemos horas a fio, sem poder descansar ou refrescar, debaixo de um calor infernal, sem gozar os intervalos de um "protocolo" de planeamento de actuações que todas as bandas no país seguem. Talvez não tiveram dinheiro para comprar um rádio e altifalantes.
Demos a conhecer, como em outros anos, mais música nova, apurada e complexa, neste ano em especial, maioritariamente portuguesa; pois somos nós um importante veículo para divulgação e cultivo da arte musical na cidade, ostentamos essa responsabilidade.
Chega ao fim um ano em que devemos pensar bem no que queremos, abraçando um projecto filarmónico implicando grandes festas e romarias para dar projecção ao nosso nome ou arriscando um projecto mais sinfónico e pedagógico para mais serviços do género do nosso Estágio de Verão, aperfeiçoando a nossa qualidade sonora e interpretativa.

Têm sido três anos duros. Optou-se, com a melhor das intenções, em 2007, cessar actividades na Banda. Hoje os músicos concordam na precipitação que essa medida foi. O quórum levou um enorme rombo devido à grande totalidade de colaboradores que seguiram a sua vida. Uma medida que se revelou igualmente efémera pois, poucos meses depois, a Banda com um espírito reformulado já ensaiava um repertório completamente novo, para voltar a saír à rua e actuar para todos os amarantinos. Alguns disseram que a Banda mais rápido fechava portas que o que se safaria sem alguns, mas eis-nos aqui hoje. Outros disseram que éramos uma Banda sem músicos da casa, mas estavam e sempre estiveram lá esses músicos da casa, lado a lado com outros músicos de grande reconhecimento, a aprenderem a não ser nunca largos na quantidade e parcos na qualidade. Houve ainda quem dissesse que estávamos de rastos, mas muita gente prefere gravações "pirata" de alguns concertos nossos a CD's com o devido tratamento da autoria das bandas de quem manda tais bocas. Hoje a Banda já não luta para sobreviver - hoje a Banda VAI sobreviver.

É quase Dezembro e, no primeiro dia desse mês, mais dois alunos irão vestir a farda azul-rubra pela primeira vez. Aplicaram-se e mostraram aos seus companheiros o fruto do seu trabalho, provando assim a responsabilidade que é pertencer-se a esta Banda. Nesse dia 1 estamos todos de parabéns: todos nós que não nos afastámos da Banda nem da Música, que não aceitámos propostas mais tentadoras para não abandonar a nossa Instituição quando ela mais precisava de nós; todos aqueles que, num dia 1 de Dezembro qualquer, foram anunciados como executantes do nosso grupo, pois a eles pertencem muitas das páginas da nossa grande história e, quem dela faz parte, aqui nunca será esquecido.

Vem aí o dia 1, em que a Banda de todos nós, amarantinos, vai saír à rua (salvo qualquer partida pluviométrica).

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Diabos à Solta 2010

Os músicos chegam a ser heróis. Assumem e cumprem compromissos, vários num só dia, para poderem concretizar e preencher o prazer de tocar, ganhando também alguns cobres. Os músicos da Banda Musical de Amarante não são excepção. No dia 22 de Agosto, muitos foram os que, aproveitando a folga, levaram o nome de Amarante a outras paragens, colaborando com várias bandas, à imagem do que acontece com a nossa própria Banda. Por aqui e por ali, provou-se que não há uma banda a depender de músicos de fora, mas sim uma interacção entre bandas e músicos de vários locais, que dinamizam e globalizam o universo filarmónico, criando conhecimentos e amizades. Famalicenses vêm a Amarante mostrar a qualidade musical da sua terra, e amarantinos fazem o caminho inverso mostrando também o bom trabalho musical que é feito na menina do Tâmega.

No entanto, os músicos da Banda Musical de Amarante são cumpridores. Correu-se e voou-se, mas a verdade é que, largos minutos antes de concretamente se verificar o arranque da procissão, a Banda Musical de Amarante apresentou-se pronta para o serviço na alegórica procissão dos Diabos de Amarante. Este evento ocorre todos os anos, em alegoria à velha história dos Diabos de Amarante. Quando essas esculturas chegaram à cidade (na altura vila) há longos anos atrás, a nossa Banda foi esperá-los à estação.
De Santa Luzia partiu então a fila. No meio do barulho e da confusão, que dão vida à festa, a Banda de Amarante interpretou as marchas de desfile como quando se escoltaram os Diabos na história original. Não é agradável tentar tocar no meio da confusão, não sabe nada bem levar com farinha sobre instrumentos que valem milhares de euros. Mas é um compromisso da Banda para com a sua cidade, que verá sempre a Instituição apresentar-se na qualidade de símbolo da terra, aceitando os desafios que Amarante merece que a sua Banda tenha.

A semana mais longa terminou assim. O calendário marca agora, apenas, o 156º aniversário da Banda. Ficam os leitores a saber que os músicos se reuniriam poucos dias depois. Nova prática no seio da Instituição: todos juntos, sem presença de directores ou maestros, os músicos discutiram saudavelmente, num rescaldo de todo um ano de trabalho. A conclusão foi unânime: um ano excelente, com catorze compromissos de festas de qualidade, lado a lado com excelentes bandas com que ombreámos em brio musical, e com um Estágio ainda mais ousado que os anteriores, com mais experiências que tornarão os músicos melhores intérpretes e os executantes um grupo ainda mais unido à volta de um projecto que, para esses músicos, é cada vez mais interessante.
A Banda agora reformulará o seu grupo de músicos para o novo ano que aí vem, com novas entradas e saídas, preparando novo repertório e encetando um trabalho minucioso em busca do melhoramento contínuo e incessante da qualidade de som e interpretação. Reabrindo a escola e retomando os ensaios, Amarante irá continuar a contar com a sua Banda, pronta para o grande compromisso que é representar o nome da sua terra.

Procurem a nossa informação de onde ela realmente vem e estejam atentos à Banda que nunca esteve tão viva.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Em Estágio

O que motiva afinal a Banda Musical de Amarante a realizar o Estágio de Verão? Uma das palavras-chave é, sem dúvida, a inovação. De e para os músicos. Ao cabo de várias romarias e festividades, marcos importantes do calendário de qualquer banda filarmónica, mas que, por vezes, não cativam os músicos para dar o seu melhor, eis que temos a oportunidade de trabalhar para fazer jus ao verdadeiro significado do termo filarmonia – gosto pela música – e damos vida à cidade, acompanhados de grandes amigos que vêm um pouco de toda a parte, com o objectivo de conviver, trabalhar, divertir-se, sacrificar-se e... Inovar.

Neste ano, o repertório de banda sinfónica trazia o maior dos desafios. Obviamente que, de ano para ano, o objectivo é melhorar e elevar o nível de dificuldade. No III estágio, o grau de exigência das obras era ainda maior, então, mas tal não retiraria a qualidade necessária para cativar o público. Apenas uma das peças não era da autoria de compositores portugueses, sendo que a dita não mais era que uma das obras que mais se popularizou neste ano, estando presente no programa de várias bandas filarmónicas e estágios por todo o país. Em suma, a Orquestra de Sopros do Estágio, chamemos-lhe assim, veio mostrar ao público amarantino que em Portugal produz-se música evoluída, que as dissonâncias não são somente desafinações – podem ser música escrita – e que a música da tuba vai para além daquilo que foi celebrizado numa canção – o “fon fon fon”.Quem acompanhou as edições anteriores do evento, adivinha facilmente um resumo da semana de trabalhos. Sendo que, neste ano, a organização ficou entregue a um elemento assistente, ao invés de ocupar alguns músicos durante o período para os trabalhos, a liberdade desta assistente permitiu uma melhor organização do evento, sempre com a companhia dos maestros titular e assistente, e dos músicos da Banda anfitriã, sempre que disponíveis.
Ao fim de um dia de trabalho, um concerto já estava pronto. Na Cozinha dos Frades, os professores do Estágio actuaram mais uma vez, com o seu repertório habitualmente mais progressivo. Desde os blues na flauta do prof. Marco Pereira até aos “tchica tchica” para acompanhar a caixa do prof. Nuno Simões, passando por todos os outros membros do corpo docente do evento, justificando a aposta e confiança que, em alguns casos, transpira de ano para ano.

O trabalho da técnica instrumental, uma das questões mais importantes, foi desenvolvido durante o restante da semana, não impossibilitando os ensaios de naipe e tutti. Na terceira noite, o Centro Cultural de Amarante recebeu o concerto de alunos e, finalmente, na última noite, o simbólico palco dos claustros da Câmara Municipal de Amarante recebeu o concerto final de Banda Sinfónica. Pelo meio estavam aulas, trabalho, ensaios, jantares e lanches em grupo, o torneio de futebol (classificação final: 1 - Amarante A, 2 - Amarante B, 3 - Lixa, 4 – Professores), pique-niques à beira-rio com direito a banho, diversão nocturna nas esplanadas do Parque Ribeirinho e da Rua das Tílias... Momentos que criavam o espírito de grupo com que o concerto final deveria ser abordado; o espírito de grupo que iria preencher grande parte das boas recordações do evento.
Na grande noite final, a plateia foi pequena para tanto público. Delfim Carvalho apresentou, Joana Alexandra de Morais, a assistente do Estágio, sincronizou a projecção multimédia, Fernando Marinho e Armando Teixeira dirigiram, Nélson Carvalho deslumbrou a solo... E a Orquestra de Sopros mostrou o fruto do seu trabalho. O concerto final correu de forma excelente e as peças recolheram aplausos e, até, interacção do público. O presidente Dr. Dinis de Mesquita focou a evolução do evento, a quase centena de pessoas envolvidas, o gosto assumido que é, para cada participante, estar presente no evento e a aposta que o Estágio é para o futuro desta Instituição centenária (e meia).
De realçar a presença de músicos de várias instituições do país. A possibilidade de alojamento permitiu que se apresentassem no Estágio músicos das bandas de Amarante, Mancelos, Lixa e Várzea, como já era habitual, e, também, de Revelhe – Fafe, Trofa, Nespereira, Lousada, Carrazedo de Montenegro... E peço perdão se se esquece alguma. Estes músicos vieram, de todos estes locais, aperfeiçoar a sua interpretação do seu instrumento, de modo a evoluírem, dando assim mais qualidade a estas bandas, trazendo também o nome delas até à nossa terra. Os parabéns a estes participantes, pelo evento a que deram vida. Os agradecimentos habituais à Câmara Municipal, Paróquia e Centro Cultural pelo apoio. Aos professores e organizadores, pelo bom trabalho desenvolvido. Ao fotógrafo e a quem efectuou e disponibilizou gravações, cujos trabalhos podem ser encontrados nas galerias do site da Banda e no @marantetv. Ficam agora promessas para os anos que se avizinham, no sentido de evoluír ainda mais e nunca estagnar e acomodar a qualquer que seja o rótulo adquirido. Inovação é a palavra-chave.
Concerto final:
  • Fanfare Overture – Lino Guerreiro
  • Concertino para Tuba e Banda Sinfónica – Carlos Marques (tuba: Nélson Carvalho)
  • 1ª Suite para Banda – Jorge Salgueiro
  • Danzón no. 2 – Arturo Márquez/arr.: Oliver Niquel
  • Volta a Portugal – arr.: Luís Cardoso
  • (extra)
  • Navegar, navegar – música e letra de Fausto Bordalo Dias/arr.: Jorge Salgueiro

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Festa de Sobrão - Paços de Ferreira

Regresso a um local já conhecido, em histórias do passado. Uma terra que nos guarda na memória acontecimentos melhores e piores. Um passado que já lá vai, pois no dia 9 de Agosto apresentou-se a Banda Musical de Amarante que temos vindo a reformular, com um ímpeto e qualidade totalmente diferentes do que outrora viemos mostrar aos habitantes da freguesia de Sobrão, em Paços de Ferreira.

O plano de actividades foi o normal em festas deste calibre. Pelo menos para nós - talvez para algumas pessoas mencionadas no texto anterior não fosse suficiente. Percorreram-se os locais da freguesia indicados pelos membros da comissão, sempre com a companhia destes. A missa teve lugar durante uma parte da manhã, dando lugar ao fim das actividades neste período, com oportunidade ainda para um pequeno concerto. Os elementos da Banda foram então conduzidos a um restaurante nas redondezas onde, com qualidade e simpatia, foram servidos de um revigorante almoço. A tarde traria calor, sem dúvida, mas as imediações do palco eram dotadas de um arvoredo relativamente denso, proporcionando um ambiente mais ameno e agradável. A Banda fez o seu concerto durante a tarde, com toda a calma e sem pressão qualquer para uma interpretação ininterrupta das peças. As obras saíram ainda melhor, houve tempo para descansar entre elas e de, inclusive, fazer um intervalo e, ao contrário do que acontece em alguns sítios, o átrio da igreja onde se colocou o coreto, estava cheio de pessoas a assistir à actuação. A incontornável comparação com a banda da zona - Paços de Ferreira - que é uma referência no plano filarmónico, trouxe ainda mais sabor aos músicos, com elogios por parte do público e aplausos a cada obra. Teve ainda lugar a procissão solene, finalizando-se com a marcha de despedida.

A Banda terminava assim o serviço, causando uma excelente impressão. A mensagem de uma nova Banda Musical de Amarante, com uma qualidade superior, talhada para serviços de excelência (e não para festas em pó e sem cor), para grandes concertos e para compromissos pedagógicos e de evolução passou assim para mais uma região. Nunca na nossa história estivemos tão em pé. Fizemos serviços com grandes bandas, com um reconhecimento de grande qualidade pelos nossos pares (falamos de Lousada, Póvoa de Varzim...), desenvolvemos uma maior cultura de grupo a partir do trabalho em conjunto e da inevitável camaradagem nas viagens no autocarro, deslumbrámos Amarante a cada passagem. Vamos agora partir no projecto mais ambicioso de cada ano, com o concerto mais desejado por cada músico - o Estágio de Verão.

A Banda está viva! Só quem tem pouca cultura filarmónica e ainda vive no tempo das "chicas" que só querem é festas para beber e fazer ruído é que não o reconhece. Só quem não vai até à Internet e pesquisa o nosso dia-a-dia não chega a esta conclusão. Em sentido contrário, músicos de um universo filarmónico mais evoluído - em que se aposta mais na evolução das Bandas, em concertos sinfónicos, estágios com grandes maestros e concursos - congratulam, elogiam e encorajam os maestros e executantes da Banda Musical de Amarante. São alguns frutos de bom trabalho ilustrados em factos reais e não no sensacionalismo deste autor.

Moralizados pelos elogios e fortalecidos pelas críticas, os músicos da Banda Musical de Amarante seguem em união, procurando fazer sempre melhor, alheios aos julgamentos de quem pouco percebe. É esta, certamente, a Banda que, em tempos, sempre sonhámos ter.

Concerto da manhã:
  • Consuelo Císcar, pasodoble - Ferrer Ferran
  • Ross Roy, abertura - Jacob de Haan
  • Le Merle Blanc, polka para flautim - Eugene Damaré
Concerto da tarde:
  • Hispânico, pasodoble - Nuno Osório
  • Guilherme Tell - Gioacchino Rossini
  • Marcha Eslava - P. I. Tchaikovsky
  • Fate of the Gods - Steven Reineke
  • Xutos Medley - arr.: Luís Cardoso
  • Santana, a portrait - arr.: Giancarlo Gazzani
  • Canções da Tradição, rapsódia - arr.: Luís Cardoso

sábado, 14 de agosto de 2010

Festa de Gondar

E porque não Gondar? Já foi há algum tempo a última vez que a Banda Musical de Amarante lá esteve. As pessoas daquela freguesia portal do Marão merecem a presença da sua Banda na sua festividade. Estava na altura de nós, também, assumirmos um risco: comparecermos num serviço, num dos fins-de-semana de Agosto, o mês mais requisitado nos calendários filarmónicos de todo o país. O nosso legado da história recente deixou-nos com as possibilidades humanas reduzidas, mas a reconstrução ao longo destes três últimos anos, paciente a aplicada, possibilitou o crescimento do quorum da Banda, de modo a que os maestros possam estabelecer um equilíbrio de vozes e naipes, respirando qualidade para quem quer realmente ver qualidade.
A Banda Musical de Amarante apresentou-se, pela manhã, na freguesia de Gondar, numa das suas avenidas. Daí, encaminhada por três elementos que se supõe que faziam parte da Comissão de Festas, foi desfilando até à igreja. A poucos minutos das 11h00, seria dispensada de executar mais uma música, pois já se ouviam as primeiras notas do órgão da igreja, preparando a celebração da missa.
No final da solenidade, a Banda actuou em palco, executando uma marcha, de acordo com o estipulado. Após o almoço, a Banda voltou ao serviço. O grupo de bombos presente actuou até às 15h30, altura em que os executantes da Banda subiram a palco e começaram os preparativos para o concerto da tarde. O calor dificultava e demorava a afinação, como qualquer um de nós deve entender. No entanto, um indivíduo que, supõe-se, seria um dos comissionários, abordou zangado a Banda, afirmando que "estudar era na escola". Acusava a Banda de se encontrar em ensaio, quando se procedia à afinação dos instrumentos, de modo a garantir a melhor qualidade possível, num dia em que as condições climáticas não eram as melhores. Caricato, sem dúvida, mas foi algo que plantou um pedaço de revolta nos músicos, que estavam a esforçar-se por trabalhar. Finalizado este processo, já de si demorado - ainda para mais interrompido por um autêntico "entendido" - a Banda iniciou o concerto. Na pausa entre a segunda e terceira obra, mais um indivíduo da organização, recém-chegado ao local, aborda a Banda, alegando que não havia sido interpretada qualquer obra. Pior, já havia ligado a um dos nossos dirigentes, insinuando que o concerto não tinha começado - duas obras após o início - e que a Banda não tinha tocado de manhã - após todo o desfile e a dispensa pela Comissão nos minutos que antecederam a missa.
O relógio marcava 16h15, a Banda tinha começado os preparativos assim que o grupo de Bombos parou a sua actuação, pouco após as 15h30, afinando (com a infeliz interrupção), e interpretando já duas obras com, aproximadamente, 10 minutos cada. E era acusada de não ter ainda começado qualquer actuação, de estar a ensaiar. Os comissionários, em fúria, alegavam até que não iriam proceder ao pagamento. A Banda deveria de tocar das 15h30 às 17h45, sem interrupções!
A reacção entre os músicos foi de extrema revolta, por tal humilhação. Mas o espírito de grupo estava apenas a sujeitar-se a um teste que iria passar com distinção. O nosso líder estava ali, o maestro Armando Teixeira, e foi ele que os músicos souberam seguir, no meio das dificuldades criadas. A Banda marcou a sua posição, actuando conforme tem sido a sua marca - qualidade. Os músicos descansaram nos intervalos entre as obras e hidrataram-se para combater todo o calor. O grupo de bombos ainda intercedeu por nós, actuando por alguns minutos, concedendo-nos tempo para descansar. Afinal de contas, foram os nossos melhores espectadores e assistiram de perto a todo aquele festival proporcionado por alguém que agiu de uma forma no mínimo curiosa. Alguns elementos do povo da freguesia ainda passaram para ver as actuações, mas apenas houve enchente antes da procissão que, ao menos, correu dentro de todas as expectativas.
A festa terminou com a despedida da Banda.
Fica aqui um retrato de um Portugal que julgávamos estar a desaparecer. Talvez haja pessoas ainda sem o mínimo decente de cultura. A freguesia de Gondar não merecia isto. Músicos de várias naturalidades levarão uma mensagem errada desta terra e, os próprios populares ficaram desiludidos e tristes ao saber dos acontecimentos. Há elementos da Banda naturais desta freguesia, que, com pesar, se sentiram humilhados. Fomos acusados de não cumprir contratos e de mentir. Mas, pelo contrário, cumprimos cada linha do combinado, agradámos ao pouco público que ia passando que, em pequenos intervalos, aderia ao nosso ritmo e harmonia, e sobrevivemos àquelas condições difíceis, unidos em redor da nossa causa e seguindo um líder, que tomou sempre as melhores decisões. Acabou por se ganhar algo nesta festa: esta força conjunta de ultrapassar adversidades.
Talvez alguns, ao saber disto, achem piada e se encham de alegria ao ver a Banda percorrer caminhos sinuosos. Mas talvez quem assim o faça, não fosse o líder que cada um de nós, músicos, quisesse seguir. Talvez não goste de enveredar pelo caminho da qualidade, trocando pelo do ruído e número excessivo e desequilibrado de chapéus. Ou talvez tenha tão pouca formação que nem perceba patavina do que se escreveu na frase anterior.
Gondar merece a nossa presença para abrilhantar a sua festa, como freguesia de Amarante, a cidade e concelho a quem devemos os nossos préstimos. O que a Banda Musical de Amarante deseja é que as pessoas desta freguesia possam ter, a indicar-lhes o rumo (seja de uma festa ou seja do futuro da localidade em geral) pessoas capazes, cultas e que saibam o que lhes compete fazer no trabalho que executam.

A Banda de Amarante continua aqui, tal como o faz há 155 anos. Os seus métodos continuam a colher elogios pelo país fora. E, juntos, vamos continuar sempre no caminho da qualidade.

Obras executadas em palco:
  • Pela Lei e Pela Grei, marcha militar - Raúl dos Santos Cardoso (manhã)
  • Consuelo Císcar, pasodoble - Ferrer Ferran
  • Ross Roy, abertura para banda - Jacob de Haan
  • Caçadores do 1, marcha - Amílcar Morais
  • Le Merle Blanc, polka para flautim e banda - Eugene Damaré (flautim - Fábio Pinto da Costa)
  • Filarmonia, marcha - Afonso Alves
  • Xutos Medley - arr.: Luís Cardoso
  • Canções da Tradição, rapsódia - arr.: Luís Cardoso